terça-feira, 29 de novembro de 2011

Luz
Unico
Comigo
Amor
Saudade

Sei que as palavras não podem descrever a linguagem da alma!

Caminho

Sei que o caminho que percorro é desconhecido.
No trajeto procuro um lugar para descansar...
Levo comigo apenas "eu".
Experimento as sensações...
Brinco com as emoções...
Vivo com intensidade cada detalhe desta caminhada!
Não me importa o final ...
Relevante é os passos trilhados.

Olhar

Quando olho para o espelho procuro o brilho de antes.
Procuro a alegria,
o desejo,
a paz,
eu.

Quando olho a vida busco a beleza,
Procuro o sorriso,
o movimento,
o impulso,
sentimento.

Quando olho o olhar,
esvazio,
perco,
volto,
esmureço,
na dualidade,
encontro o desencontro
de olhar.

Quando temos que recomeçar...

Viver é um grande desafio.
Deparamos com circunstâncias que às vezes não compreendemos, mas a vida nos convida a recomeçar.
Paramos, olhamos para nós mesmos e indagamos:  Deus o que fazer? Por onde iniciar?
As respostas não surgem no ato da indagação.
De repente o vento sopra, as flores desabrocham, e deparamos nas mãos do Oleiro.
O barro não consegue por si só se transformar em vaso é necessário um Oleiro para dar as primeiras formas, com as suas fortes e incansáveis  mãos iniciar o projeto da sua criação.
Neste momento é tempo de recomeçar...
Não nas grandes coisas, mas nos detalhes que antes passavam apenas por nós.
Como dói recomeçar quando não restou nada, quando tudo foi à ruína, quando a fé é abalada, quando não se sabe o caminho, onde ele  inicia ou termina .
Uma única  certeza prevalece : há esperança para o ferido, angustiado, desanimado....
Há esperança que o Oleiro nunca desiste de sua obra, mesmo que o vaso seja pequeno.
São nos pequenos vasos que o grande Oleiro  guarda os  objetos preciosos.
Que o nosso clamor sincero seja:
Modela-me, faça conforme o Teu querer, conforme o Teu projeto de amor.
Quando temos que recomeçar não estamos sozinhos. 
Deus está conosco.
Neste árduo trabalho Ele canta suas canções preferidas e são elas que nos faz acordar e querer continuar.




segunda-feira, 28 de novembro de 2011

TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
– que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

Ferreira Gullar